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Doenças respiratórias e infecções acontecem mais no outono e inverno

As estações do outono e inverno são o cenário ideal para disseminação de doenças respiratórias e infecções como amigdalite

Doenças respiratórias e infecções acontecem mais no outono e inverno
Doenças respiratórias e infecções acontecem mais no outono e inverno - Foto: Shutterstock

Todos os anos, as estações de outono e inverno concentram o maior número de casos de infecções virais que afetam a capacidade de respirar bem.  A queda de temperatura e o tempo seco, características dessa temporada, favorecem a propagação de vírus com maior intensidade. Isso leva a doenças que comprometem, principalmente, as vias aéreas superiores, ou seja, o nariz, os ouvidos e a garganta.

Doenças mais comuns do outono e inverno

O presidente da Academia Brasileira de Rinologia (ABR) e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), Otávio Piltcher, explica que a gripe (vírus influenza) e os resfriados comuns (rhinovirus, vírus sincicial respiratório, etc) são as principais doenças virais do período. A covid-19, fruto do vírus Sars-CoV-2, também pode manter alta incidência na estação. 

“A transmissão ocorre com maior facilidade nesse período devido a necessidade de convívio em ambientes menos ventilados para se manter aquecido. Além disso, a baixa umidade relativa do ar, quanto mais extrema, aumenta a concentração de poluentes. Isso dificulta ainda mais o funcionamento correto do sistema respiratório,” explica o especialista.

Nas estações frias também são recorrentes os casos de faringoamigdalite, que é a infecção da faringe e das amígdalas. O quadro causa dor de garganta, febre e inchaço dos linfonodos do pescoço, chamado popularmente de íngua. Além disso, há aumento de crises de rinite alérgica e rinossinusite.

As viroses respiratórias, por sua vez, causam congestão nasal, dificuldade de respirar, tosse, dor de cabeça, febre e mal-estar como principais sintomas. No entanto, elas também podem evoluir para outros problemas.

Além disso, em situações de mudança brusca de temperatura, a função nasal pode ser prejudicada, diminuindo o sistema imune, responsável pelas defesas do organismo. Isso naturalmente deixa a saúde mais fragilizada, se tornando uma porta de entrada para enfermidades. O resultado dessa combinação de fatores é o aumento na busca por atendimento médico e das internações hospitalares.

“Em muitos casos, há agravantes. Essas doenças podem levar a outras complicações, pelos próprios vírus ou por bactérias. É o caso da as otites médias agudas  (inflamação do ouvido), rinossinusites agudas (sinusite), bronquites, pneumonias, entre outras,” complementa o médico.

Crianças são mais suscetíveis

O presidente da Academia Brasileira de Otorrino Pediátrica (ABOPe), Rodrigo Pereira, destaca que as crianças são as que mais sofrem durante o outono e inverno. 

“O sistema imunológico das crianças continua em desenvolvimento, ou seja, ele tem menos experiência em lidar com infecções virais do que o dos adultos. Além disso, elas frequentam berçários, creches e escolas, onde o contato próximo com outras crianças e a troca de brinquedos é comum. Isso facilita a disseminação de vírus, especialmente aqueles que se espalham pelo ar ou por contato direto”, esclarece.

Grande parte das crianças que têm quadro de gripe ou resfriado desenvolve infecções de ouvido, a otite, que gera dor na região. O problema é tão comum nesse público que especialistas estimam que cerca de 70% das crianças terão um episódio do tipo antes de completarem cinco anos, segundo estudos médicos.

“Assim como a otite, a adenoidite também é uma doença sequencial que surge como complicação às viroses. Há inchaço da adenoide, também chamada popularmente como ‘carne esponjosa’ da criança, podendo ser acompanhado de febre, formação de catarro amarelo-esverdeado e obstrução nasal”, informa o médico.

Medidas preventivas

Para crianças ou adultos, uma das medidas mais eficazes de prevenção é a imunização contra a influenza, bem como manter em dia a cobertura vacinal conforme a faixa etária, que envolve a proteção de outras doenças.

“A hidratação frequente, alimentação saudável e higiene de mãos também são muito importantes, bem como o uso de máscaras por profissionais e pacientes que apresentarem quaisquer sinais e sintomas como febre, dor de garganta, coriza, tosse, obstrução nasal, rouquidão”, orienta Piltcher.

Tratamento e cuidados importantes

Na presença de qualquer um desses sinais e sintomas, inicialmente é indicado o manejo com analgésicos e antitérmicos comuns. Contudo, conforme a intensidade e duração das queixas, o especialista indica a procura de atendimento médico para o correto diagnóstico e diferenciação entre quadros virais, com manutenção da conduta, ou complicações bacterianas, onde os antibióticos podem ser indicados.

O presidente da ABR enfatiza que a opção pela prescrição de antibióticos pelo profissional de saúde deve ficar restrita a condições específicas vinculadas a quadros bacterianos. “Esses medicamentos não têm nenhum papel para tratamento de infecções virais e tampouco previnem complicações. Seu uso indiscriminado é mais associado a efeitos adversos do que vantajosos”, alerta.

Além disso, o especialista alerta que o uso de corticoides orais, utilizado de forma assustadoramente frequente em pacientes com sintomas das vias aéreas, também é contraindicado na maioria desses casos. “Além de não haver evidências de benefício, o seu uso frequente está associado a consequências na saúde tanto para crianças quanto para adultos”, finaliza o médico.

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